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Os grandes não quebram os pequenos! Os pequenos que se deixam quebrar

março 4, 2014

Você acha que as grandes empresas quebram as pequenas locais? Após Walmart, Pão de Açúcar e outros se instalarem em uma cidade os pequenos mercados são prejudicados? Eu acho que NÃO. O Ricardo Jordão Magalhães da BizRevolution (o cara é animal, no bom sentido) postou uma foto na página dele do Facebook de um peito de perú fatiado no PDA por R$32,90/kg e questionou: “E as coisas cada vez mais absurdamente caras. Os Wal-Marts e Pão de Açúcar e Carrefours da vida QUEBRARAM as pequenas empresas e agora nadam de braçada dizendo que tem o menor preço do Brasil. Galera, POR FAVOR, não deixem essas grandes empresas tomarem conta do mundo. Eles vão destruir tudo!” Image Eu respondi: Screen Shot 2014-03-04 at 10.55.49 AM - Os pequenos precisam se mexer, senão quebrarão mesmo. Se vendem o mesmo produto dos grandes, devem fortalecer sua força local! Outra pessoa entrou na conversa: Screen Shot 2014-03-04 at 11.14.29 AM - Está aí uma ótima oportunidade! Criar uma app que permita o usuário compartilhar locais onde os preço estejam melhores. Isso certamente ajudaria os pequenos empórios e negócios locais. GO LOCAL! Quebra tudo! Respondi de novo: Screen Shot 2014-03-04 at 11.14.37 AM - Pequenos e locais nunca terão preços melhores q os grandes!! Precisam pegar o coração do cliente, olho no olho! E o Ricardo: Screen Shot 2014-03-04 at 11.14.54 AM - Marcelo Alcantara Whately Os grandes estão caros para caraio! Um Wal-mart da vida tem mais funcionarios e custos do que a vendinha da esquina. O ponto é que os grandes vendem X produtos abaixo do preço para atrair a galera e ganhar nos outros produtos. No final, as compras em um walmart da vida saem mais caro do que em um Mambo ou qualquer rede menor ainda. Concordo com ele: Screen Shot 2014-03-04 at 11.15.04 AM - Tens razão Ricardo Jordao Magalhaes.  Mas mesmo assim acho q estão atraindo os consumidores mais q os pequenos, já q estes estão quebrando.  Acho q a maioria dos pequenos está lenta em relação aos grandes… Lenta em criatividade. Se os clientes vão aos grandes mesmo estando mais caros, o pequeno precisa explorar sua proximidade com o consumidor para este abrir mão da facilidade/comodidade do grande e ir apreciar o serviço/charme/customização/etc… do pequeno. O que acredito é isso! Sim, os grandes nem sempre são os mais baratos, ele dizem que são, divulgam só uma gama de produtos com preço atrativo e abusam no preço dos demais produtos. Agora, se os pequenos estão quebrando por causa dos grandes, o problema é dos pequenos! Os grandes estão trabalhando, fazendo a sua parte. Nada mais justo do que os pequenos também fazerem. Os grandes têm ferramentas, tecnologia, estratégias de comunicação etc…. Tudo para atrair e influenciar nossa decisão de consumo a favor deles. E qual o problema, é o papel deles! Além disso, ferramentas, tecnologia, estratégias de comunicação etc…. estão acessíveis para os pequenos também!! A questão é: os grandes não quebram os pequenos, são os pequenos que se deixam quebrar. O Ricardo continuou a conversa: Screen Shot 2014-03-04 at 11.15.14 AM - Marcelo Alcantara Whately Sim… São várias coisas… Os pequenos são lentos, não tem criatividade, e não conhecem as ferramentas que poderiam usar para vencer os grandes; MAS todo tipo de ferramenta que os grandes usam já tem versão pequena empresa. Os pequenos podem ter CRM, cloud, ecommerce, BI etc; outra coisa que temos que lutar para diminuir é o próprio tamanho desses walmarts da vida. Por que temos que comprar nesses hipermercados??? Vinte anos atrás você comprava carne no açougue, pão na padaria, remédio na farmácia. Por que tem que ser tudo em um lugar???? Porque esses fucking bastards querem que você compre o que não presta, como bolachas recheadas, refrigerantes, iorgurtes etc etc etc. Mas pense um pouco: você precisa desses lixos que você encontra no tal do “one-stop-shop” para ter uma alimentação saudavel??? NEM A PAU!!! O velho açougue, a velha feira na rua, a velha farmácia, e a velha padaria já resolvem o assunto. E respondi: Screen Shot 2014-03-04 at 11.15.25 AM - Pois é Ricardo Jordão Magalhães, o que quis dizer é exatamente isso. As one-stop-shops estão atraindo clientes melhor do que os locais.  Porque temos que lutar para diminuir o tamanho desses caras? Deixa eles….estão trabalhando…. Nós pequenos que precisamos nos mexer. Como vc mesmo disse, ferramentas já existem, a questão é o pequeno mudar o que faz há décadas. Se as pessoas não compram mais como há vinte anos, porque os pequenos devem continuar como eram há 20 anos? E se os grandes querem q compremos estes lixos, por que nós compramos? A decisão é de cada um, não?  E os grandes fazem de tudo para influenciar a decisão de seus clientes, é o trabalho deles!!! É isso! Nós, pequenos, podemos aproveitar muito melhor o contato direto com o cliente. Os grandes não têm essa proximidade, nos analisam só por dados, conforme nossas compras, fluxo pela loja etc… Nós pequenos temos os clientes vindo para nos ver! Em casos de produtos comuns, o pequeno atrairá seu cliente por outros motivos, daí a importância da criatividade. O pequeno pode sentir o consumidor, o grande não. E em casos de produtos exclusivos, melhor ainda! O pequeno que vende um produto que não está nas prateleiras do grande tem uma bela vantagem. É só trabalhar com as preferências, exigências, desejos, prazeres, reclamações, sugestões, conselhos que o cliente nos passa, diretamente ou indiretamente. Consegui expor minha opinião?

Você tem medo de alimentos geneticamente modificados? #ScientificAmerican #OGM

setembro 17, 2013
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Qual sua “opinião” sobre organismos geneticamente modificados (OGM)? Destaco a palavra opinião pois entendo que quando existe embasamento, o que se tem é um argumento. Por isso acredito que o medo (opinião) em geral sobre os OGMs e principalmente sobre os alimentos GM é uma expressão sentimental, pois cientificamente, os fatos e argumentos são favoráveis ao seu consumo.

A edição especial da revista Scientific American de setembro/2013 é sobre alimento, e traz diversas verdades desconhecidas pelo público em geral. Em sua capa, há a seguinte chamada:

Comida. Começou como combustível, passou a ser uma paixão, influencia crises globais – e nos fez humanos. 

O editorial da revista segue abaixo traduzido com o objetivo de ajudar a esclarecer de onde vêm, o que são e porque podemos consumir OGMs sem problema algum, inclusive com benefícios em alguns exemplos.

“Rótulos para alimentos geneticamente modificados é uma má ideia.

Desde 2012 diversos estados americanos estão em votação sobre o projeto de lei que obriga a identificação nos rótulos de alimentos produzidos com OGM.

O ser humano trabalha o DNA de seu alimento desde os primórdios da agropecuária. Selecionando plantas e animais com as melhores características (plantas com maiores espigas de milho por exemplo), nossos ancestrais já transformavam o genoma destes organismos. Nos EUA, 70% dos alimentos processados atualmente contém ingredientes geneticamente modificados. E há 20 anos a população consome vegetais com genes inseridos ou removidos, ajudando as culturas a tolerarem secas ou resistirem a herbicidas por exemplo.

Desta forma, um simples rótulo informando somente a presença de OGM aumentaria a crença de que estes alimentos fazem mal à saúde humana. A Associação Americana para o Desenvolvimento da Ciência, a Organização Mundial de Saúde e inclusive a União Europeia concordam em que alimentos contendo OGMs são tão saudáveis quanto alimentos comuns. O processo de melhoramento genético convencional, por meio de cruzamento natural entre indivíduos, todo o genoma dos novos exemplares (filhos) é diferente de seus “pais”. Já a engenharia genética é muito mais precisa, alterando somente genes selecionados, reduzindo em grande escala as chances de se obter um resultado inesperado. Ainda mais, o órgão americano de controle de alimentos e medicamentos (US Food an Drug Administration) já realizou testes com todos alimentos produzidos com OGMs do mercado e concluiu que nenhum deles é tóxico ou alergênico.

A argumentação de que o rótulo informativo de OGMs é em prol da maior opção de escolha do consumidor é equivocada. Na Europa por exemplo as opções de escolha foram reduzidas. No final da década de 1990, o rótulo de OGM foi exigido devido à pressão popular. Como consequência, as redes varejistas pararam de vender produtos contendo OGMs: todos fornecedores tiveram que alterar seu sistema produtivo e hoje não se encontra alimentos com OGMs na Europa. Ou seja, o preço médio de alimento ficou maior.

Nos EUA, caso o rótulo seja obrigatório, as consequências serão as mesmas. A produção de alimentos convencionais demanda maior quantidade de água e insumos tecnológicos, deixando a produção mais cara e aumentando a proporção dos gastos com alimentos pela população.

A resistência contra OGMs desconhece seus benefícios. Na India, lavouras plantadas com OGMs passaram a produzir 24% mais por unidade de área (acre), permitiu aumento de 50% no lucro dos produtores, o que afeta diretamente a qualidade de vida destas famílias em países emergentes.

Em outro exemplo, o Arroz Dourado enriquecido com Vitamina A ajuda a controlar a deficiência alimentar pelo mundo, evitando 500 mil crianças cegas e a morte de metade delas pelo mundo. Até o Greenpeace e outras organizações anti-OGMs utilizaram argumentos equivocados e apelativos à emoção contra o uso do Arroz Dourado em seu início. Existem muitos projetos de pesquisa como estes para melhorar a alimentação da espécie humana: mandioca com 30x mais beta-caroteno, 4x mais ferro, além de mais zinco e proteína; ou uma espécie de milho com o dobro de beta-caroteno, folato e 6x mais vitamina C.

O projeto de lei americano obrigando a utilização de rótulos informando o conteúdo de ingredientes OGMs em alimentos atenderá a demanda de uma parcela de consumidores. Esta decisão está entre continuar desenvolvendo tecnologias a favor da saúde humana ou se orientar pelo medo e desinformação.

Fonte: American Scientific – set/13, tradução livre.

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Resultado e equilíbrio? Sim é possível [Equilíbrio e resultado, Christian Barbosa] [vídeo]

abril 14, 2013
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Manter o equilíbrio entre a vida pessoal e tradicional e simultaneamente colher bons resultados nas duas é possível. Christian Barbosa, o “senhor do tempo” brasileiro descreve como atingir este nível de gerenciamento do tempo, prioridades e execução em seu novo livro “Equilíbrio e resultado”.

O ponto principal do livro é o auto-conhecimento, e em segundo lugar a gestão do tempo. Primeiro é preciso saber em qual você está:

  1. Conformado
  2. Perdido
  3. Realizador
  4. Estressado

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Antes de se julgar em qualquer condição, é preciso se situar em qual mundo você vive, com quem você convive, como foi parar nesta situação e compará-la com a situação desejada. Este é o maior objetivo. Segundo o autor, muitas pessoas não têm esta reflexão durante toda a vida, ou por falta de informação ou desinteresse. A partir desta análise, é possível planejar o caminho para alcançar o quarto quadrante: alto equilíbrio e alto resultado.

A vida profissional e pessoal devem ser complementares, pois a saúde física e mental são prejudicas em qualquer caso de desequilíbrio. Além da saúde pessoal, a convivência com as pessoas do dia-a-dia também fica em desequilíbrio. Para buscar o quadrante quatro, é preciso quebrar o status quo, reconhecer e assumir que é preciso melhorar, e que para isso é necessário sairmos de nossa zona de conforto.

Porém, todo este processo demanda energia física e mental. A energia física depende do condicionamento corporal, e a energia mental é recuperada com momentos de prazer e satisfação diários. Portanto a saúde é pré-requisito fundamental para o percurso até a realização plena.

Você se conhece? Nós nos conhecemos? Achamos que nos conhecemos? Até onde podemos ir, como estão as pessoas em nossa volta, ou  como estamos influenciando-as? Acredito que o auto-conhecimento tem muito poder e sua prática deveria ser mais incentivada.

Sr. “Programa Fantástico”, que tal agora mostrar o lado bom da moeda? veja aqui um exemplo #carnebovina

março 18, 2013
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Senhor “Programa Fantástico da Rede Globo”, olá.

Sou Marcelo Whately, zootecnista, consumidor e defensor da carne bovina.

No seu último programa (10/mar/13) vimos uma matéria sobre as condições ilegais de abate e comercialização de carne bovina. Isto realmente faz parte de nossa realidade, não negamos que há falta de estrutura e capacitação de muitos abatedouros municipais e estaduais, sem contar os ilegais.

Portanto, acredito que seria interessante mostrar também em rede nacional as condições Legais de abate e comercialização da carne bovina. Afinal, reprsentam 70% da carne consumida no país, não é isso? Uma reportagem como a do último domingo pode influenciar à conclusão generalizada dos telespectadores, passando a acreditar que 100% da carne bovina é originada naquelas condições.

O que não é a verdade, a realidade é outra. Existem sim pessoas trabalhando para acabar com condições ilegais de abate e comercialização.

Além disso, o tema apresentado deixa a oportunidade para mostrarmos ao consumidor o que há de bom sobre carne bovina. Acredito que matérias como esta são necessárias, pois incomodam e acabam incentivando as pessoas que fazem do jeito certo a saírem da zona de conforto e mostrar o que fazem!

Para isto, deixo aqui um exemplo: a Frigo Central de São Paulo, capital. Empresa familiar há 25 anos, conduzida pelo proprietário e seu genro atualmente. O sogro do proprietário também era açougueiro em Portugal, portanto a cultura interna segue seu caminho.

A empresa distribui carne bovina no atacado (restaurantes e empresas), no varejo e para cursos de gastronomia. Eles têm 12 lojas na cidade sob fiscalização da Vigilância Sanitária e também têm o SISP, a autorização estadual para manipulação, industrialização e comercialização de produtos de origem animal da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Toda a carne vendida pelo Frigo Central é comprada de frigoríficos com S.I.F. (Serviço de Inspeção Federal), aptos para exportação. A carne é pesada, porcionada, embalada, rotulada, maturada e distribuída. Todo o armazenamento é feito em câmaras frias, monitoradas e em ótimo estado de funcionamento.

Portanto Sr. ”Programa Fantástico”, deixo aqui esta mensagem para você. Um exemplo entre centenas de fornecedores Legais de carne bovina. Pode conferir, visite açougues autorizados e fiscalizados, frigoríficos com SIF e consumidores satisfeitos!

Seguimos juntos nesta luta em busca da segurança alimentar e qualidade do alimento.

Um abraço,

Marcelo Whately.

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Do jeito que vai indo, a Amazon e o Google podem não contribuir com nosso conhecimento no futuro

janeiro 8, 2013
Andre-Schiffrin

A Amazon se preocupa com o conhecimento de seus clientes ou só quer ganhar dinheiro? A Amazon quer acabar com todas a livrarias físicas? E o Google, tem o direito de privatizar o conhecimento? A função de digitalizar todos os livros de bibliotecas pelo mundo é função do Google ou do Estado?

Não sei responder estas perguntas, mas vou pensar sobre. O tema foi dicutido pelo editor franco-americano André Schiffrin no programa Roda Viva da TV Cultura nesta segunda-feira 07/jan. Foi muito interessante, pois até o momento não tinha pensado a respeito do poder das empresas de tecnologia direcionado exclusivamente à função comercial.

Segundo André, as livrarias estão diminuindo e o mundo está infestado de livros publicados independentemente, sem nenhuma edição. Para ele, esta tendência é perigosa, pois o atual uso da internet caminha para o mesmo destino do rádio e televisão. André explicou que no início de cada uma destas tecnologias, o objetivo era a cultura e o conhecimento. Porém, sem controle e limites impostos acabaram se tornando o que são hoje, basicamente com razão comercial (“salvo excessões que não são a solução” ele disse).

Quando a internet foi criada, na Finlândia por exemplo, o seu uso foi incentivado com a proposta de não haver nenhum vínculo comercial. Por falha na administração do crescimento de seu uso, vemos no que deu globalmente. Para André, a publicação independente na internet é válida somente para países onde não há liberdade de expressão ou há acesso restrito à rede. Já em países totalmente globalizados, esta publicação em massa é prejudicial.

O mercado editorial existe para selecionar o que será publicado ou não, tendo como fundamentos o conhecimento, informação, ou entretenimento. “Uma biografia de uma vida muito interessante pode ser publicada de forma equivocada, sem estimular a leitura e caindo no esquecimento”.

Para André, as grandes editoras mundiais atualmente têm como objetivo único e final a lucratividade, sem considerar o conteúdo de suas publicações. Estas empresas raciocinam anualmente e financeiramente, e não na durabilidade do livro e suas contribuições para as pessoas.

Sobre a Amazon e o Google, André explicou que não concorda com o rumo que as empresas estão tomando, sem controle algum. Segundo ele, a Amazon já declarou que quer eliminar as livrarias físicas e também eliminar a edição (e editores), e é preciso combater este tipo de monopólio, acredita André. Ele também disse que a Amazon já tentou implantar a listagem de editores somente diante pagamento, o que a pressão contrária consegue evitar por enquanto.

Observando a lista de livros físicos ou digitais mais vendidos nos EUA percebe-se que são muito poucos títulos vendidos em grande quantidade. “É ótimo para a Amazon, mas prejudica a opinião pública”, disse André. Leis e controles para a quantidade e qualidade de editores também não existem, prejudicando a qualidade das publicações em geral.

O Google também caminha sem limites, sem leis e regulamentações contra o monopólio de informação. Na Europa por exemplo, o Google não paga impostos, e Schiffrin questiona por que algumas pessoas têm o direito de pagar menos taxas. Outro exemplo dado pelo editor foi o objetivo do Google de digitalizar todos os títulos do mundo. A segunda maior biblioteca da França já está participando do processo, e André não concorda com a “privatização da história e do conhecimento, isto deve ser propriedade do Estado”.

Para ele, as empresas digitais têm papel importante neste contexto, porém não podem ter a propriedade destas informações. A internet é válida, e é preciso criar regulamentações para não acontecer o que houve com o rádio e televisão. O grande fator complicador pra André é que a rede está nas mãos de quem quer ganhar mais dinheiro que os outros, “e é preciso reduzir esta pressão”. Senão, as chances do Google cobrar pela leitura dos títulos digitalizados ou a Amazon cobrar os editores para poderem vender suas obras são muito altas.

Indo contrário a este movimento, Schiffrin fundou uma editora sem fins lucrativos, a New Press, na qual um grupo de editores mantém o foco na qualidade, na educação e na opinião pública sem a preocupação se o livro fará sucesso financeiramente ou não. Segundo ele, há livros que começam a ser comprados após 20 anos de sua publicação.

André cita alguns bons exemplos de manutenção da cultura sem objetivos de lucratividade. Na França, após a segunda guerra mundial, preocupado com a invasão de filmes de Hollywood, o governo inseriu uma pequena taxa nos ingressos de cinema para subsidiar filmes nacionais e salas de cinema independentes. Desta forma, hoje na França existem centenas destas salas com filmes de todo o mundo, e não somente com as poucas opções de filmes americanos. A razão financeira limita a quantidade de opções. “Em uma semana, é possível assistir mais filmes coreanos em Paris do que em um ano em Nova Iorque“.

Outro exemplo na Noruega, o governo também subsidia a cultura do país. No início dos anos 1900 os cinemas foram municipalizados, se tornando sem fins lucrativos e permitindo a escolha de filmes. Hoje na Noruega o governo continua incentivando a cultura nacional, subsidiando as demais mídias para escolherem o que publicar e expor suas opiniões, e não selecionar o conteúdo somente pelo potencial de vendas.

O canal de televisão inglês BBC também se beneficia de taxas para o bem de todos. A empresa recebe incentivos diretamente, sem passar pelo governo para manterem suas transmissões. Desta forma, o canal está há décadas independente do governo, e sem propagandas.

Como último exemplo, André conta que na Suécia existe uma cooperativa de editores com 20 mil cooperados contribuindo anualmente. “Se 3 mil comprarem um livro de outro editor, a cooperativa já se mantém em funcionamento”.

André defende este tipo de atuação governamental. “Se o Estado faz, é ditadura. Se o Google faz é progresso”. Nos exemplos citados, a diversidade de conteúdo das mídias é enorme, e não há discussão simplesmente porque não há influência do Estado, é apenas um meio facilitador.

Finalizando, Schiffrin comenta que toda nova tecnologia pode ser utilizada de forma errada somente para ganhar dinheiro, e é preciso ter cuidado. É necessário debater o futuro da internet, o que não é feito ainda, para que não acabe como as demais mídias. Além disso, ele enfatiza a importância do mercado editorial, dizendo que acredita “não termos muitos escritores atualmente que poderiam ser lidos no século seguinte, como antigamente”.

Defendendo a leitura de livros, físicos ou digitais, André comenta que “os livros ainda são a única maneira de as pessoas passarem um bom tempo observando um raciocínio sendo desenvolvido”, e desta forma, o problema será o pouco tempo investido pelos novos leitores a formularem seu raciocínio posteriormente. Os livros também servem “para contar às pessoas sobre as ideias que elas precisam para pensar melhor a respeito do futuro”.

Pensando sobre o que foi discutido, acabei concordando que é preciso tomar mais cuidado com o poder das empresas de tecnologia. Sou totalmente a favor de seu crescimento, porém, como a biblioteca da França, caso o Google resolva inserir publicidade nos livros, ou vender o contato de perfis de leitores, não há nenhum limite no contrato. É preciso sim antecipar estes problemas mesmo acreditando que não acontecerão (e eu acredito).

No caso da Amazon, não concordei com o objetivo de terminar com o mercado editorial. Se a função de um editor é se preocupar com a diversidade de escolha e opinião pública, deve continuar existindo. Sobre a publicação independente exagerada na internet, já é um fato e sou a favor. Creio que é possível a existência de um mercado de títulos editados e outro mercado gratuito e independente. Neste último, os únicos prejudicados serão serão os milhares de autores a espera de audiência (como este blog).

Agora, quem começará a discussão política proposta por Schiffrin para cuidar do futuro da internet? Será que é possível existir esta pauta avaliando as poderosas Amazon e Google? Se sim, será possível aplicar os limites propostos?

Ou o destino da internet já está fadado à publicidade e comércio como o rádio e TV?

Você tem consciência de que é importante para a humanidade?

março 13, 2012

O garoto Mitchill (9 anos) e a garota Gabriela (14 anos) não estão mais entre nós. Um, teve traumatismo craniano ao bater numa pilastra ao ser puxado de jetski pelo pai. A outra, também teve traumatismo craniano após cair de um brinquedo em um parque de diversões. Como podemos explicar acidentes deste tipo, facilmente evitados com o mínimo de bom senso e proatividade?

O Sr. Antônio resolveu levar seu filho Mitchill e seu sobrinho para passear na represa em um domingo ensolarado. Ele puxaria os meninos em um bote (ou boia) por meio de um jetski e, ao propor o programa, todos familiares devem ter celebrado a boa ideia. Afinal, para que serve um jetski se não divertir-se em alta velocidade sobre as águas?

Já a menina Gabriela foi ao maior parque de diversões do Brasil com sua família em uma sexta-feira ensolarada enquanto aproveitava o final de suas férias escolares. Chegaram cedo, antes mesmo de abrir o parque, para aproveitar o dia ao máximo e chegar antes de todos para evitar as filas de entrada nos brinquedos.

Mesmo chegando com antecedência, Gabriela e família aguardaram na fila do “elevador que cai”, a atração mais almejada pelos jovens corajosos. Chegando sua vez, Gabriela e sua turma seguiram as orientações dos funcionários e cada um se acomodou numa das cadeiras e travaram os cintos de segurança. Após aproximados 30 segundos de subida, até 69,5 metros de altura e alguns instantes de quietude, o elevador cai subitamente e em 3 segundos retorna ao “térreo”. Todos chegam excitados, aliviados, transtornados pela adrenalina; menos Gabriela, que caiu do brinquedo pois o cinto de segurança de sua cadeira não estava funcionando.

Voltando à represa, o Sr. Antônio prepara o passeio, abastece o jetski, amarra a condução dos garotos ao mesmo, obriga os meninos a vestirem o colete salva-vidas e parte para o programa dominical sob gritos e abanos de tchau dos familiares que ficam em terra. Não satisfeitos, Mitchill e seu primo induzem o Sr. Antônio a acelerar mais e mais, aumentando a emoção. Após atender aos pedidos, ele fica satisfeito ao observar o sorriso e as gargalhadas das crianças.

Sobre a represa e diante do trajeto do jetski havia uma ponte, pela qual iriam passar por baixo naquela velocidade para o delírio dos dois guris. Sr. Antônio obviamente desviou a condução das pilastras de sustentação da ponte com antecedência, porém, logo antes de atravessá-la, outra embarcação que vinha em sentido contrário remexeu a água e estas ondas alteraram a rota da boia dos meninos, direcionando-a diretamente às colunas de concreto. Infelizmente Mitchell perdeu a vida após o choque de sua cabeça na pilastra, seu primo saiu ileso felizmente.

No caso de Gabriela, quem foi o culpado? O funcionário despreparado, seu supervisor ou o proprietário do parque? E no caso de Mitchill? Seu pai desavisado, sua família irresponsável ou o clube náutico em que estavam?

Nos dois casos há negligência. O Sr. Antônio pilotava o jetski sem habilitação para tal. Já no parque, todos responsáveis pelo brinquedo sabiam que a cadeira estava quebrada, pois estava inativada há dez anos.

Onipotência? Também houve. “É só uma voltinha com os meninos… a polícia não vai me pegar sem habilitação… eu sei piotar jetski faz tempo…”, ou “todo mundo sabe que essa cadeira está desativada… é só avisar aos foliões… está assim há 10 anos e nunca aconteceu nada”.

Bom senso e proatividade: foi o que não houve. Jetski é feito para puxar outras embarcações? Deve-se praticar qualquer atividade em ambientes públicos sem autorização ou habilitação? Houve a consciência de que todos estão envolvidos com a vida de outros? E que esses outros podem perdê-la justamente por que “não estavam sob sua responsabilidade”?

E como proatividade, percebe-se que é difícil barrar atitudes alheias mesmo percebendo algum risco. Será que ninguém da família de Mitchill raciocinou que havia algum perigo na diversão? No parque, nenhum funcionário tentou tirar Gabriela da cadeira quebrada?

Concluindo, deve-se viver a vida sabendo que qualquer atitude tem sua consequência, inclusive, e não menos importante, as atitudes que não são tomadas.Toda (ou quase toda) a irresponsabilidade vista mundo afora acontece devido à ignorância, ao desconhecimento das pessoas de que elas mesmas são importantes para outros indivíduos, mesmo estes não sabendo de tal fato. Todo acidente é literalmente um acidente? Não havia maneiras de evitá-lo? Muito provavelmente sim, só que ninguém havia se dado conta do que poderia causar ao Mitchill e à Gabriela.

Marcelo A. Whately

Você é estranho? Acho que somos

fevereiro 11, 2012
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Livro: We are all weird

Autor: Seth Godin

De acordo com Seth Godin, na visão do marketing atual somos todos estranhos porque o marketing direcionado para as massas está cada vez menos eficiente. As pessoas não se agrupam mais em massa, existem inúmeros grupos que gostam de coisas totalmente diferentes.

O ser humano prefere se organizar em tribos, ou em grupos de pessoas que compartilham uma mesma liderança, cultura ou a mesma definição para o normal. Hoje existem milhares de grupos que respeitam, admiram, apoiam e tomam decisões (escolhas) que os que estão de fora julgariam estranhas, e que para quem fazem parte, ficam como escolhas normais. A revolução digital facilitou a união e aumentou o número de tribos e de pessoas por tribo.

Ser estranho significa tomar uma decisão, seguir em direção ao que você acredita e ao que você quer, e não ao que os marketeiros querem. É o que está acontecendo atualmente, o número de estranhos está aumentando e uma maneira bem simples para mostrar isso são os gráficos abaixo:

Gráfico 01:

Na década de 50, o marketing era basicamente o mesmo para todo mundo. A eficiência era medida pelo número de pessoas que a ação de marketing atingiria; quanto maior, melhor. Veja na curva do gráfico 01, quase todo mundo está dentro da área dos normais.

Com o passar dos anos, a curva de distribuição dos normais mudou, ficou “mais larga e mais baixa”, indicando que o número de pessoas normais diminuiu e o número de pessoas fora da curva dos normais aumentou, os estranhos:

Gráfico 02:

A maior razão para esse aumento de estranhos é a maior disponibilidade de opções no mercado, promovendo maior chances de escolha. Dessa forma, com maiores chances de escolha, as pessoas podem escolher o que querem dentre um maior número de opções, o que não era possível anteriormente. As pessoas tinham poucas opções de escolhas, e por isso não havia muitos estranhos.

Gráfico 03:

Veja em 2010 como a curva dos normais ficou mais baixa (menos normais) e mais larga (mais opções de escolha).

Assim, diante de inúmeras opções, as pessoas demonstram sua personalidade de acordo com o que consomem. Podem escolher o que consumir e com certeza há algo que mostre exatamente o que ela quer demonstrar. Provavelmente será estranho para quem não escolheu o mesmo, mas será totalmente normal para aquele grupo consumidor.

Seth Godin diz: “Mass is dead. Here comes weird.

Ele defende que incentivar a todos a se unirem como normais simplesmente para vender mais para a mesma massa é ineficiente e errado. O marketing para a massa não funciona mais, a oportunidade de hoje é incentivar a criação de grupos, vender para os grupos e fazer parte de grupos (tornar-se um estranho).

Um ponto interessante do livro é a definição de rico. Rico é quem tem condições (financeiras) de fazer escolhas. Não é preciso ter um avião particular para ser rico, é preciso ter tempo, comida, saúde e acesso suficientes para estar em contato e interagir no mercado, tanto com coisas como com ideias: escolher o que comprar e como viver sua vida.

Interessante, não? Seguimos sendo estranhos com nossas escolhas. :-)

Aquele abraço.

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