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Você tem medo de alimentos geneticamente modificados? #ScientificAmerican #OGM

setembro 17, 2013

Qual sua “opinião” sobre organismos geneticamente modificados (OGM)? Destaco a palavra opinião pois entendo que quando existe embasamento, o que se tem é um argumento. Por isso acredito que o medo (opinião) em geral sobre os OGMs e principalmente sobre os alimentos GM é uma expressão sentimental, pois cientificamente, os fatos e argumentos são favoráveis ao seu consumo.

A edição especial da revista Scientific American de setembro/2013 é sobre alimento, e traz diversas verdades desconhecidas pelo público em geral. Em sua capa, há a seguinte chamada:

Comida. Começou como combustível, passou a ser uma paixão, influencia crises globais – e nos fez humanos. 

O editorial da revista segue abaixo traduzido com o objetivo de ajudar a esclarecer de onde vêm, o que são e porque podemos consumir OGMs sem problema algum, inclusive com benefícios em alguns exemplos.

“Rótulos para alimentos geneticamente modificados é uma má ideia.

Desde 2012 diversos estados americanos estão em votação sobre o projeto de lei que obriga a identificação nos rótulos de alimentos produzidos com OGM.

O ser humano trabalha o DNA de seu alimento desde os primórdios da agropecuária. Selecionando plantas e animais com as melhores características (plantas com maiores espigas de milho por exemplo), nossos ancestrais já transformavam o genoma destes organismos. Nos EUA, 70% dos alimentos processados atualmente contém ingredientes geneticamente modificados. E há 20 anos a população consome vegetais com genes inseridos ou removidos, ajudando as culturas a tolerarem secas ou resistirem a herbicidas por exemplo.

Desta forma, um simples rótulo informando somente a presença de OGM aumentaria a crença de que estes alimentos fazem mal à saúde humana. A Associação Americana para o Desenvolvimento da Ciência, a Organização Mundial de Saúde e inclusive a União Europeia concordam em que alimentos contendo OGMs são tão saudáveis quanto alimentos comuns. O processo de melhoramento genético convencional, por meio de cruzamento natural entre indivíduos, todo o genoma dos novos exemplares (filhos) é diferente de seus “pais”. Já a engenharia genética é muito mais precisa, alterando somente genes selecionados, reduzindo em grande escala as chances de se obter um resultado inesperado. Ainda mais, o órgão americano de controle de alimentos e medicamentos (US Food an Drug Administration) já realizou testes com todos alimentos produzidos com OGMs do mercado e concluiu que nenhum deles é tóxico ou alergênico.

A argumentação de que o rótulo informativo de OGMs é em prol da maior opção de escolha do consumidor é equivocada. Na Europa por exemplo as opções de escolha foram reduzidas. No final da década de 1990, o rótulo de OGM foi exigido devido à pressão popular. Como consequência, as redes varejistas pararam de vender produtos contendo OGMs: todos fornecedores tiveram que alterar seu sistema produtivo e hoje não se encontra alimentos com OGMs na Europa. Ou seja, o preço médio de alimento ficou maior.

Nos EUA, caso o rótulo seja obrigatório, as consequências serão as mesmas. A produção de alimentos convencionais demanda maior quantidade de água e insumos tecnológicos, deixando a produção mais cara e aumentando a proporção dos gastos com alimentos pela população.

A resistência contra OGMs desconhece seus benefícios. Na India, lavouras plantadas com OGMs passaram a produzir 24% mais por unidade de área (acre), permitiu aumento de 50% no lucro dos produtores, o que afeta diretamente a qualidade de vida destas famílias em países emergentes.

Em outro exemplo, o Arroz Dourado enriquecido com Vitamina A ajuda a controlar a deficiência alimentar pelo mundo, evitando 500 mil crianças cegas e a morte de metade delas pelo mundo. Até o Greenpeace e outras organizações anti-OGMs utilizaram argumentos equivocados e apelativos à emoção contra o uso do Arroz Dourado em seu início. Existem muitos projetos de pesquisa como estes para melhorar a alimentação da espécie humana: mandioca com 30x mais beta-caroteno, 4x mais ferro, além de mais zinco e proteína; ou uma espécie de milho com o dobro de beta-caroteno, folato e 6x mais vitamina C.

O projeto de lei americano obrigando a utilização de rótulos informando o conteúdo de ingredientes OGMs em alimentos atenderá a demanda de uma parcela de consumidores. Esta decisão está entre continuar desenvolvendo tecnologias a favor da saúde humana ou se orientar pelo medo e desinformação.

Fonte: American Scientific – set/13, tradução livre.

ogm

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